Poema sobre a liberdade

abril 14, 2010

Hoje me falta liberdade.
E essa falta me amarga.
É essa amarga amarra,
De ver o mundo preso,
Preso e amarrado
com o arame farpado
do dinheiro, da covardia,
da incompreensão.

Medos. Muitos medos.
E no medo de uns a prisão de outros.

Liberdade, irmã da alegria,
Hoje não existe.
Hoje os pássaros se calaram,
E o vento dizia ranzinza:
Hoje o céu é cinza…

Dizia num tom apático,
sem amor ou cólera,
sem paixão,

Como se a esperança de um preso perpétuo pudesse dizer.

Hoje sinto-me preso para sempre.
Sinto-me preso pela angústia das coisas nunca serem como eu as imaginei,
Preso pela desilusão, pelo desencantamento do mundo,
Como se um deus cruel sempre fizesse o futuro diferente das nossas esperanças de propósito.

É hora de parar de esperar. De esperançar-se.

É hora de viver livre, sem mais pensar.

(Ilustração: Yna Barros)

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